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A arte da construção de hegemonia – E agora PT?

A discussão sobre a teoria da hegemonia não é um debate da semana passada. Os revolucionários da antiga União Soviética, como Lênin, discutiam a possibilidade de realização de hegemonia apenas com os setores das classes trabalhadoras. Pensadores como o italiano Gramsci, discordando dessa única possibilidade, mostrou caminhos para a sua construção também por setores não tão somente das classes trabalhadoras e até o trabalho político interno com a possível chegada ao aparelho do Estado. E, ao parece, foi segunda opção que marcou mais profundamente o Partido dos Trabalhadores, o PT. Um partido que conseguiu aglutinar forças de quase todo espectro político nacional chegando ao governo e mantendo-se por 13 anos.

                Malgradas as estrepolias realizadas por seus principais dirigentes – ao que se diz terem sido necessárias para o exercício de seu governo, em relação às compras de votos de parlamentares na câmara alta do País – envolveu-se em escaramuças das mais lastimáveis. Por mais que se reconheçam as suas conquistas no campo social, aprofundando ainda mais alguns programas de governo anterior, não se pode negar que o Brasil teve dias de razoável bonança, promovendo-se ascensão social de setores de classes importantes. Setores que foram à rua cobrando mais avanços, agora de maneira enviesada, procurando a superação dessas políticas e desejando outras mais radicais impossíveis de serem atendidas. Desejos individuais de mera promoção financeira. Não sendo mais possível, então, setores mais conservadores passaram a cobrar um certo moralismo ao governo petista – fim da corrupção. Mas, esta não é uma invenção nacional e muito menos petista.

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                A operação lava-jato, botando na prisão malfeitores das regras financeiras, detonou os membros do partido, o seu principal líder e um pacote de empresários. A rede de comunicação fez o seu trabalho de vincular a questão moral a todo governo petista e, em especial, ao Partido dos Trabalhadores. Estavam dadas as condições para o “impeachment” da presidente Dilma.

               Diante do imbróglio gerado pelas relações de governos com empresários, relações financeiras de campanhas, está nocauteado o Partido dos Trabalhadores. Em Colônia, está submetido a um situação contraditória profunda. Durante seus mais de 30 anos, o partido conseguiu a eleição para vereador de apenas um mandato de vereador. Em âmbito nacional, o partido passou a perder vários de seus parlamentares e executivos. Em Alagoas, é verdade, existem dois prefeitos, mas dois deputados estaduais e um edil na capital abandonaram o barco. De Minas Gerais, vem o maior número de prefeitos eleitos pela sigla e 15 abandonaram o partido de um total de 113. Em São Paulo, o seu berço, quase a metade de seus prefeitos debandaram, pois de 73 restaram apenas 38. Do total de 638 prefeitos em todo o País, 135 trocaram e outros estão a trocar de sigla partidária. Quase a metade dos 63 deputados federais também o fizeram ou farão.

                Em Colônia, hoje, a questão é outra. Calculam os petistas como ficará a sua situação para a escolha do voto à prefeitura da cidade. O Partido do Manuilson, o PSDB é o principal algoz do PT. O Meilton está no PSB, um partido que inicialmente esteve na base do governo e o abandonou. A prefeita Paula está no PMDB, aquele partido que esteve todo tempo nas tetas da “mãe joana”, conforme o dito popular, traindo-a no último momento e passando a defender o bota-fora da Dilma. E Agora PT?

                Diante de tantas dificuldades políticas e práticas, mesmo num ambiente de interior desse imenso Brasil, contudo, parece restar tão somente ao PT o esclarecimento ao povo de suas conquistas e a defesa intransigente da democracia, evitando seus possíveis simulacros.

José Francisco de Melo Neto (Zé de Melo Neto)

 

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