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A hora do cuidado

13246106_1121661364559356_1997012758_n“Sair às ruas, cumprimentar e chamar a atenção das pessoas, principalmente desconhecidas, era como derrubar uma barreira…”

            Meses atrás fui desafiado com a proposta de me candidatar ao Conselho Tutelar do nosso município. Na ocasião, acolhi a ideia enquanto passava um turbilhão de questões na minha cabeça e me perguntava: “Como farei? Não sou popular o necessário para ser eleito. Será que tenho chances de ser eleito?”. Estas e outras tantas questões ecoavam em mim. A mais instigante: “Como me tornar popular? E como tornar conhecidas minhas ideias e meus ideais?”

            Sou tímido, confesso. Sair às ruas, cumprimentar e chamar a atenção das pessoas, principalmente desconhecidas, era como derrubar uma barreira, para poder naquele instante criar um diálogo, expor minhas intenções ao Conselho e, sobretudo, conquistar o voto. Mas, para mim o mais importante naquele momento não era o voto, não era ser eleito, que encarava como uma consequência dos meus esforços, e sim provocar o despertar da consciência das pessoas, para o compromisso e a responsabilidade de escolher as pessoas certas para representarem eu e você no Conselho Tutelar; afinal aquele era o serviço responsável pela proteção e garantia de direitos das crianças leopoldinenses.

            Enquanto candidato problematizei a política do Conselho Tutelar, a atuação comunitária desse órgão em nossa cidade, o engajamento e os desafios, velhos e novos, no combate à violação dos direitos, inclusive através do diálogo com os Conselheiros em serviço e os demais candidatos, como se diz: trocando ideias! Também questionei as ideias e projetos e agreguei força para a construção de uma rede que a única preocupação verdadeira fosse as crianças e os adolescentes.

            Fui acompanhado por uma equipe que a cada dia me motivava e me desafiava a ser o candidato diferenciado, que estariam ao meu lado independente do resultado da eleição. Formávamos a equipe de campanha do Jáé16 e carregávamos uma marca, uma preocupação, o cuidado como foco que expressávamos a partir da seguinte frase: – Já é hora de cuidar! Mantínhamo-nos na linha do cuidado, porque ainda era e é preciso cuidar muito do futuro das crianças e adolescentes de Colônia Leopoldina, da garantia dos seus direitos, cuidar das políticas públicas, da população marginalizada, cuidar da ampliação ao acesso à saúde, à educação e às políticas de assistência.

            Lembro-me de uma tarde que saímos caminhando pelo bairro Belo Jardim, um amigo e eu. Havia pessoas nas ruas, sentadas, conversando… Eram diversos contextos. E chegando até um grupo de mulheres, que estavam sentadas na calçada em frente à casa, cumprimentei, sentei e puxei conversa com elas:

Eu: “Vocês conhecem o Conselho Tutelar?”

Uma mulher respondeu: “Conheço sim, mas é uma coisa que não funciona, não faz nada, além de tirar os filhos da gente.”

Eu: “Como assim tirar os filhos da gente?”

Respondeu uma delas: “Me separei do meu marido e ele procurou o Conselho pra ficar com a guarda das minhas filhas, e ele levou elas pra Marimbondo, estou esperando pra ele trazer de novo, fui na Justiça.” (sic)

Eu: “Senhora, o Conselho Tutelar não tira a guarda de filho de ninguém, apenas o juiz de direito que pode fazer isso. O Conselho Tutelar interveio para garantir a proteção das suas crianças. O maior interesse do Conselho é o bem estar dos seus filhos”.

            Neste diálogo foi possível perceber o quanto o trabalho do Conselho Tutelar precisa também ser educativo, para que as pessoas saibam como este atua e qual o seu objetivo. É necessária uma participação social mais efetiva, consistente para que este serviço se fortaleça cada vez mais.

            Colocar-me como candidato ao Conselho Tutelar foi uma experiência imensurável, pois mesmo este texto, ou muitos outros que eu possa escrever, não descrevem tudo o que aprendi, o que ouvi, o que conheci; não descreve o sentimento das pessoas com quem estive em contato e em diálogo. Ainda hoje reflito as afetações pelas quais fui transpassado ao conhecer diversas histórias e diversas pessoas. As histórias permanecem, as crianças, adolescentes crescem, as pessoas que se engajaram, que votaram, que confiaram, que torceram, entre tantos outros. Enquanto houver essa corrente de forças, eu lutarei e continuarei lutando pelo que acredito, pois sempre é hora de cuidar!

 

Sobre Jardiael Herculano

Leopoldinense, 21 anos, estudante de Psicologia no Centro Universitário CESMAC.

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Por Jardiael Herculano

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