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A luta dos índios Wassu Cocal

 

Tradicão que se renova1

Este texto pretende ser uma pequena colaboração à luta diária do povo Wassu Cocal, pela manutenção, com dignidade, da sua comunidade. E a todos que estudam e se interessam pelas necessidades e lutas dos povos indígenas em Alagoas.

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Os índios Wassu Cocal, com uma história de lutas e sofrimentos pela manutenção do seu povo, de sua história, de suas crenças, e de suas terras, vivem hoje um novo medo: o do esquecimento pelo seu próprio povo, da sua história, crenças e lutas. Através da educação e da retomada dos seus ritos, esperam transmitir para as novas gerações o seu legado, sua história, seu modo de vida e suas terras, símbolo e condição para a sua manutenção.

Os costumes e tradições da tribo são mantidos em conjunto com a adaptação à vida nos tempos de pós-modernidade. Por exemplo, na luta por uma vida de maior qualidade para todos, alguns jovens da comunidade partem em busca de ampliação dos conhecimentos e profissionalização, inclusive ingressando faculdades públicas e privadas, como é o caso da jovem Edneide Silva, aluna do curso de Psicologia do Cesmac.

Há no território da tribo quatro escolas que oferecem o ensino regular de pré-escola, ensino fundamental e jovens e adultos – EJA. Essas escolas, além do planejamento previsto para os níveis escolares definidos pelo MEC, contemplam também um planejamento educacional específico para os povos indígenas, em particular, sobre a história, costumes e ritos do povo Wassu Cocal.

Atualmente, os índios Wassu Cocal vivem numa faixa territorial de 2.780 hectares, localizada no município de Joaquim Gomes, município limítrofe de _DSC4277abColônia Leopoldina. Essas terras, tradicionalmente habitadas por indígenas, lhes foram doadas pela Coroa Portuguesa, ainda no século XVII, porém, o Decreto Provincial de 1872, da Província de Alagoas, destituiu todos os índios de suas terras, levando-os a viverem como boias-frias, trabalhadores do campo ou pedintes. Desaldeados, os índios Wassu Cocal, assim como todos os índios da província, viveram situações diversas de enfrentamento na luta pela reconquista das suas terras e pelo direito de viver organizados em aldeamentos[1]. Foi somente no início da década de 80 que obtiveram o reconhecimento étnico e a demarcação das terras onde vivem atualmente.

Apesar do desrespeito de alguns usineiros e fazendeiros, que não costumam reconhecer os direitos dos povos indígenas ao seu território, mesmo com o reconhecimento formal por parte do estado e também, como é de conhecimento dos moradores das redondezas, a comum instalação de assaltantes e marginais que encontram na tribo um abrigo seguro, a luta  contra dos índios Wassu Cocal contra os invasores mercantilistas continua, resistindo bravamente pela continuação de sua cultura.

A preservação dos hábitos dos povos indígenas é algo que diz respeito a todos nós, visto que é também a raiz do nosso povo brasileiro, que já os habitantes de nossa terra possuíam sua própria cultura mesmo antes da colonização portuguesa.

Contribuição de Maria de Fátima Pereira dos Santos

Psicóloga e Mestra em Serviço Social

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