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Abuso sexual infantil: a ruptura da inocência

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Mais de uma criança é estuprada por dia no nosso estado (segundo dados do Sistema de Polícia) e nunca se pensa sobre essas coisas acontecerem tão próximas. Mais assustador ainda é que nem todos os casos são registados e esse número pode ser ainda maior e, as vítimas, ainda mais próximas. Cerca de 70% dos registros de estupro no país são contra crianças e adolescentes e isso nem engloba a violência sexual, que é ainda mais complexa e já se configura como problema de saúde pública.

Na nossa cidade “existem casos comprovados, porém são poucos. As denuncias podem não ocorrer por ameaças ou a falta de credo no discurso infantil.”, afirma André Guedes, Conselheiro Tutelar. André ainda continua: “existe uma barreira enorme que ainda deve ser quebrada quanto a denuncia de casos como esse. As pessoas devem ser conscientizadas quanto ao sigilo, que será mantido.” Quando questionado sobre o que poderia ser feito para que haja essa conscientização, André sugere mais campanhas em um contexto ampliado, superando os limites do conselho tutelar e indo ao encontro de uma política pública que abrangesse a secretaria de educação e saúde.

Os canais de denuncia:

1 – Ligar 100, informando o nome do agressor e o endereço, as informações serão encaminhadas ao Conselho tutelar;

2 – Ligar diretamente para o Conselho tutelar ou ir pessoalmente ao local;

3 – Ir ao CREAS (Centro de Referência de Assistência Social), que também encaminhará o caso ao Conselho Tutelar.

Assim que recebida a denúncia, o conselho tutelar, munido de seu colegiado, busca os fatos e faz a averiguação. Se necessário, faz-se a solicitação das autoridades policiais e a criança/adolescente é encaminhada ao IML para que sejam feitos os devidos exames quando, posteriormente, receberá apoio psicológico.

O fato é que o abuso sexual, além de envolver aspectos legais, sociais e culturais, é difícil de ser identificado e enfrentado. Vivemos em uma sociedade que culpa a vitima pelo assédio e normaliza o comportamento sexual violento. São tempos de crise moral. A culpa nunca é da vítima, nenhum comportamento desta justificará o ato abusivo e brutal do agressor.

 

Sobre Lidiane Laurentino Andrade

Leopoldinense, 21 anos, graduanda em Administração na Universidade Federal de Alagoas.

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Por Lidiane Laurentino Andrade

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