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Academia de Cultura emite nota sobre o Escola Sem Partido

A Academia de Cultura de Colônia Leopoldina, diante da atual conjuntura educacional brasileira e especialmente da realidade alagoana, que além de todas as já “tradicionais” dificuldades de estrutura e valorização se viu recentemente a beira da censura, decidiu expor seu posicionamento sobre os projetos de imposição de uma suposta neutralidade dentro das escolas e seu sistema de ensino. Assim, a ACCL emitiu uma nota com sua colocação, a qual você pode ler na íntegra abaixo.


ACADEMIA DE CULTURA DE COLÔNIA LEOPOLDINA – ACCL

– NOTA SOBRE OS PROJETOS “LEI DA MORDAÇA”, “ESCOLA SEM PARTIDO” E AFINS

Diante dos arroubos de parlamentares, no Brasil, e de certo movimento de grupos, esta Academia de Cultura de Colônia Leopoldina (ACCL) apresenta à sociedade e à população de Colônia os seguintes esclarecimentos e sua posição.

Em Alagoas, o deputado Ricardo Nezinho (PMDB/AL) defendeu recentemente o Projeto de Lei 69/2015 – a Lei Escola Livre – que visa promover a “neutralidade” na escola, proibindo que os docentes exponham seus pontos de vista sobre a realidade brasileira. Sob fortes críticas, o tal projeto foi chamado de Lei da Mordaça, que sob outras formas tem se apresentado em outros estados do Brasil, como Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Espírito Santo. O Movimento “Escola Sem Partido”, o qual tem entre seus adeptos o ator pornô Alexandre Frota, insinua que a escola está partidarizada, segundo a linha do Projeto de Lei homônimo 867/2015, do deputado federal Izalci (PSDB/DF), atualmente em trâmite, podendo comprometer, nos currículos escolares, o ensino das disciplinas de Filosofia, Sociologia, História e até mesmo a Biologia, no que concerne à temática sobre a origem da vida, sob a ótica de que a família é quem deve impor às escolas o conteúdo de acordo com seu desejo.

Entendemos que, do ponto de vista político, essas pretensões pseudo-educativas ultrapassam os tempos passados ditatoriais, já superados pela sociedade brasileira, em que várias ações dessa natureza foram aplicadas. Segundo os proponentes das referidas leis, todos os professores e professoras são “esquerdistas” e tais vieses educacionais devem ser extirpados. Para eles, o silêncio docente se coloca como uma necessidade. Efetivamente, o que desejam é a implantação de uma escola de uma só visão de sociedade: a deles. O que almejam implantar é a visão social de um só partido na escola: o partido deles. Contudo, educadores sabem que a verdadeira escola é aquela que apresenta aos estudantes a pluralidade de opiniões e que promova valores éticos como o respeito pela diversidade das pessoas. Com a saída dessas disciplinas, o que desejam reimplantar é uma velha política que se põe em oposição às manifestações feministas, como as nomeações apenas de homens nos altos cargos da política geral. Desejam impedir as discussões da origem científica da vida, ao expressar ataques ao esforço científico da humanidade. Também, para eles, é proibida a discussão de gênero e da multidiversidade das expressões culturais, respeito às minorias raciais e étnicas, além da proibição do debate sobre o machismo, secularmente incrustado nas mentes das pessoas. Dessa forma, não há a violência de classe e, muito menos, a violência contra a mulher como o estupro, muito menos em sala de aula, uma vez que consideram desnecessárias as várias medidas de proteção, já tomadas, contra todo tipo de violência na sociedade. Já os direitos humanos são assunto a ser tratado pela segurança do Estado, pois em nada discutem valores éticos como a tolerância e o diálogo para as vidas de todos. Defendem uma falsa neutralidade da escola para imprimirem nos alunos os seus valores nada neutros, retrógados até. Esses quem são, de fato, os amigos do autoritarismo escolar e da sociedade. Projetam, ainda, a manutenção de uma cultura que nada faça contra esses fenômenos que estabelecidos, mantendo tal estado de coisas como normal e/ou natural, o que não são. Querem mesmo é matar a educação, ao apresentá-la como mero processo técnico e não formador de pensamento crítico, com apenas transferência de conteúdo e sem respeito real à pluralidade na escola, desconsiderando a dimensão humana e múltipla existente dentro de todos e todas nós.

Com efeito, a ACCL posiciona-se veementemente contra todas essas iniciativas que expõem, agora, os velhos privilégios de dominadores e que insistem em uma cultura de permanência do status quo.

A Diretoria

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