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Brasil: pra onde vai?

1b6fd12da41142ffbce2b6e91ab8f2e1_1Uma análise da conjuntura política nacional, pela ótica do jornalista e professor Jorge Vieira

A cada dia apresenta-se mais um enredo da peça chamada de política brasileira. O início de tudo remete há alguns séculos, mas as causas dos últimos acontecimentos têm os pilares no processo eleitoral de 2014. Com 54 milhões, o programa implantado nos últimos governos do Partido dos Trabalhadores (PT), entre erros e acertos, saiu vitorioso nas urnas. Com isso, o resultado tornou-se insuportável para as classes dominantes.

O resultado das urnas que não foi aceito pelos derrotados, imediatamente cuidaram de manter a sua base mobilizada e inviabilizar a governabilidade no Congresso Nacional, seja obstruindo as votações ou aprovando medidas da chamada “pauta bomba”. Em contrapartida, o governo da presidente Dilma Rousseff foi imobilizado diante das movimentações da oposição e do fisiologismo da base de apoio.

Tiram-se algumas conclusões a partir dessas questões. A primeira, do ponto de vista da oposição, que defende projeto e interesses do capital internacional e do empresariado industrial, jogou com seus aliados, a Federação do Estado de São Paulo (FIESP), a grande mídia e parte classe média conservadora para neutralizar as políticas e programas sociais do governo. Para azeitar o cenário, utilizou-se da Operação Lava-Jato implantada pelo Ministério Público Federal (MPF), da Polícia Federal e do juiz Sérgio Moro, seletivamente investigada e divulgada ao sabor do espetáculo mediático.

Como sangramento do governo, o desfecho estava previsto no enredo. Com traições e manobras, busca o afastamento da presidente da República. Como não tinha, segundo a Constituição Federal, um crime tipificado contra a presidente Dilma Rousseff durante o exercício do mandato, ao arrepio constitucional e de forma grosseira e hipócrita, o ex-presidente da Câmara, o deputado Eduardo Cunho acatou por vingança a abertura do processo de impeachment. O espetáculo chegou ao seu ápice com a hipócrita  maioria de deputados federais votando contra a corrupção desfilando diante das câmaras midiáticas.

Em seguida, com a admissibilidade do processo, a aprovação na Comissão do Senado, tendo à frente um senador do partido do vice-presidente Michel Temer (PMDB) e o relator do partido derrotado nas eleições de 2014. Obviamente que o resultado era previsto: aprovação por maioria.

O espetáculo não estaria completo, até para dar um caráter de neutralidade ao enredo, o Supremo Tribunal Federal (STF) acata a ação, seis meses depois do procurador-geral da República Rodrigo Janot, e destitui o presidente da Câmara dos Deputados. O vice-presidente assume a presidência da Câmara, dias depois anula a sessão que aprovou a admissibilidade do impeachment. E, por sua vez o presidente do Senado, Renan Calheiros, ignora e mantém a votação de afastamento da presidente da República.

E o Brasil? Encontra-se à mercê dos interesses de grupos dominantes que querem privatizar cada vez mais as suas riquezas e precarizar os direitos sociais da maioria da população.

Jorge Luiz Gonzaga Vieira

Jornalista

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