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Colunista Letícia Sobreira – O futuro da cidade

Falar do futuro da cidade é, diretamente, falar sobre a juventude da cidade. Colônia Leopoldina, que é comprovadamente uma cidade de população jovem (vide IBGE), vive há muito tempo um quadro de falta de perspectivas para sua juventude. Faltam empregos, faltam políticas públicas que incentivem e forneça maior acesso à educação e cultura, falta profissionalização, faltam oportunidades.

A lista de faltas é numerosa. Isso, sem dúvidas, é preocupante. Como pensar num futuro tendo um bem estar social praticamente estagnados numa cultura de manutenção de privilégios para poucos? Trata-se, infelizmente, de uma realidade dentro de nosso município. De certo, existem uns poucos exemplos que conseguem contrariar essa situação. Ainda assim, não é válido se utilizar de exceções como se fossem a regra dominante.

O Estatuto da Juventude, instituído pela lei nº 12.852, prevê em seus escritos uma asseguração de direitos aos jovens, bem como direito à cidadania, à participação social e política, à educação, à profissionalização, à cultura e muitos outros. Entretanto, sabe-se que essa ainda é uma realidade muito distante da nossa. Ser jovem em Colônia Leopoldina é ser limitado à uma figuração de classe que só é lembrada a cada quatro anos – isso se você for maior de 16.

Esse é um fato vivenciado por mim – que, quer queira ou não, tenho uma posição privilegiada, se comparada a grande parte dos meus semelhantes conterrâneos. Quem dirá então a situação de exclusão e impossibilidade dos jovens que não tem condições de acesso à points privados, à universidade, incentivo familiar, etc.? O jovem de baixa renda é maioria em nosso município. Esses deveriam ser os mais cuidados, pois é com eles que é feita a realidade da cidade e poderia ser construído o futuro da mesma.

Hoje, as políticas de atenção à juventude são mínimas por aqui. A ociosidade tem deixado os jovens na rua e abandonados à sua própria sorte, fator que potencializa as chances de serem postos à marginalidade e, muitas vezes, no abismo da dependência química.

Inúmeras vezes eu vi e ouvi promessas de apoio, integração e assistência. Presenciei a disponibilidade de uma juventude de prontidão para se voluntariar em prol de si mesmos, de sua classe. Entretanto, o apoio não se fez ação, não saiu do mundo das palavras. Assim, nós ficamos de mãos atadas. Certamente não foi a primeira vez, e certamente também não será a última. E pensar que ouvimos falar até de uma Secretaria da Juventude…

Como diz a letra de uma música, “a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte”. Arte, cultura, esporte e lazer são fatores essenciais para a construção do cidadão, isso é sabido desde os tempos da paideia grega. Mas aqui tudo é sempre diferente… talvez eu possa dizer que aqui também é tudo esquecido.

“Você tem fome de quê? Você tem sede de quê?”

 

Sobre Letícia Sobreira

Leopoldinense, 19 anos, estudante de jornalismo na Universidade Federal de Alagoas.

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Por Letícia Sobreira

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