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Colunista Zé de Melo – A política nacional arrebenta-se em Colônia

As duas forças mais expressivas, hoje, no cenário político nacional – Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) aliam-se e avançam, definitivamente, para por fim à política “popular” dos petistas e seus seguidores, cassando a Presidenta Dilma.

Não se fez mais necessário a evidência de algo praticado de errado pela mandatária do País, considerando que a sua cassação é uma ação política e, não necessariamente, jurídica, mesmo que o jurídico esteja sempre sendo demandado. O que se trata é que esse modelo de governar perdeu a governança, perdeu a sua base para exercer o seu mandato. E o que surge daí?

Observa-se a movimentação das forças políticas nacionais em torno desses dois partidos.  O PMDB esteve na base do governo petista que está saindo, e, o outro, já se aliou com a ultradireita para governar, o antigo PFL(Democratas), na era FHC, assumindo propostas da direita liberal. O PMDB, partido super fragmentado, tem tido uma perspectiva da direita patrimonialista da tradição política nacional. Entenda-se, não na versão de Max Weber, mas na versão realizada no Brasil como sinônimo da promiscuidade entre o público e o privado, presentes as questões do apadrinhamento e da corrupção.

Em Colônia, a história de governantes de direita é uma constante, mesmo que nem assumam, debatendo-se entre essas duas forças políticas. A política nacional divorcia-se da política leopoldinense, pois, PMDB E PSDB lutam desesperadamente pela Prefeitura. Ambas as siglas têm pouco significado e diferença para os seus próprios seguidores e, muito menos, para o eleitorado. Seus seguidores parecem fazer até questão de que o povo nada conheça, num esforço de tentar separar a política nacional da política local. E, claro, que têm conseguido, ferindo a cidadania.

Todavia, bom seria que ambos os partidos pudessem todos explicitar de forma didática à população o que os aproximam e o que os afastam – mesmo que o Partido Socialista Brasileiro(PSB) esteja a reivindicar também candidatura à Prefeitura e que outras forças não se apresentem. Que propostas têm para a cidade? Por que, finalmente, uma dessas siglas seria melhor para uma governança local?  São questões que não se discutem e, talvez, não haja diferença. Assim, o processo eleitoral passa para o nível do personalismo, isto é, o eleitor é conduzido a votar em A, B ou C candidaturas e não na melhoria de sua cidade. A disputa passa para o nível da oferta de pequenas facilidades, somente para alguns. Outros que estejam com essas benesses irão perdê-las, pois não pode haver facilidades para todo mundo. Nenhum município suportaria uma política financeira dessa natureza.      

Sob a lógica da política nacional, a proposta mais coerente e mais barata para essas eleições seria a junção, um casamento local de ambas as forças – PSDB e PMDB. A Usina Taquara aplaudiria pois todos os candidatos estão em sua volta. O povo, como tem sido, continuaria à margem dessa disputa.

Acontece que não pode haver dois prefeitos em uma cidade. A apartação de ambos já está definida. Até onde valerá à pena?

José Francisco de Melo Neto

Professor Titular e Pesquisador da UFPB

Membro do Movimento Colônia e Cidadania – MCC

Membro da Academia de Cultura de Colônia – ACCL

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