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Colunista Zé de Melo – Educação em Alagoas – onde moram os seus desafios?

EDUCAÇÃO EM ALAGOAS – onde moram os seus desafios?

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            Boa parte dos problemas da educação e da escola está alicerçada na própria história da educação, portanto, de dimensão estrutural do Estado e da sociedade, existindo outros pertinentes à conjuntura. Em linguagem político-partidária, são acúmulos de décadas de governos sem as devidas preocupações com a educação dos filhos das classes trabalhadoras – a escola pública, também no Estado. Todavia, tanto esses desafios históricos como os conjunturais precisam ser devidamente equacionados.

            Em termos do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, em Alagoas, apenas no ensino médio, a meta para o ano de 2011 – índice de 2,6 e a meta fora 3,1;  para 2013 – índice de 2,6 e a meta fora 3,3 e para 2015 – índice de 2,8 e a meta fora 3,7 e, portanto, fora de todas as metas para a 3ª série do Ensino Médio, e sem o ritmo do crescimento nacional. A caminhar com essa carruagem, a educação em Alagoas, para o ano de 2021, chegará bem atrasada para a festa do bicentenário da República, distante quase 2 pontos da meta nacional preconizada para aquele ano.

            E onde moram esses desafios? Bem! Eles estão posicionados nos discentes, a partir de suas condições sócio-econômicas familiares. Estão nos docentes, em suas dimensões também econômicas e no seu preparo para a docência com o engessamento de metodologias e conteúdos nem sempre atualizados; nos prédios escolares com difícil arquitetura para o exercício do ensino e da aprendizagem; nas relações de gestores de partidos políticos com o Estado, que ainda insistem em manter a educação e a saúde como ambientes de empreguismo; na burocracia estatal; nas decisões de políticas educacionais pouco ambiciosas para o setor, e que, quando avançam, é em conta-gotas. Estão na organização do embaraçado sistema educacional alagoano sem quase nenhuma atividade em rede; na organização propedêutica mesma ou conteudística dos currículos e nas relações da escola com a comunidade e organizações civis, podendo até haver outras moradias onde os problemas se escondem.

            E como buscar soluções para esses tantos possíveis problemas? O algo mais importante na busca de soluções de problemas é, necessariamente, a sua detecção e expressá-los quantitativamente a sua intensidade. Precisa ainda atender a política de um governo que precisa insistir na participação da sociedade, na definição de suas políticas e, por que não, ser na educação e na escola. Somente uma rigorosa pesquisa dos desafios da educação no Estado poderá contemplar essa dupla necessidade – a dimensão qualitativa (política) e a quantitativa, norteando as ações executivas do Governo.

            Assim, seria possível movimentar a sociedade, particularmente, a categoria docente e discente, em torno da educação e de seu ambiente de trabalho, provocando também a sociedade nesse movimento primeiro, com grandes encontros por cada gerência administrativa e, em um segundo momento, a necessária quantificação, que juntos possibilitarão política educacional de curto, médio e longo prazo. Só a pesquisa poderá jogar aos ventos os espantos causados por tantos desafios. Os ares políticos gerais, contudo, após a aprovação da PEC 241 que limita investimentos, infelizmente pela maioria dos deputados federais alagoanos, sopram na contramão de uma educação minimamente aceitável para aquelas regiões com maiores dificuldade de darem as lições, estando aí o Estado de Alagoas.

José Francisco de Melo Neto

Ex-presidente do Conselho Estadual de Educação

Professor Titular e Pesquisador da UFPB

Membro do Movimento Colônia e Cidadania – MCC

Membro da Academia de Cultura de Colônia – ACCL

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