Últimas Notícias
Capa / COLUNISTAS / Colunista Zé de Melo – Educação em Alagoas – Soluções pela pesquisa.

Colunista Zé de Melo – Educação em Alagoas – Soluções pela pesquisa.

EDUCAÇÃO EM ALAGOAS – soluções pela pesquisa.

Os governos de Estado, em sua maioria, por meio da Secretaria de Educação, têm colocado para a sociedade a necessidade de criação de escolas técnicas e o ataque ao analfabetismo. Em Alagoas, o analfabetismo vem afrontando todo governante. Mas, não se pode esquecer, todavia, das outras modalidades de ensino – o ensino fundamental, o ensino médio não profissional e a educação superior. Entretanto, nesse momento, o importante é saber se há mesmo problemas nesses campos e suas possíveis soluções.

Problemas na sociedade, na educação, existem em duas dimensões: aqueles históricos, de ordem estrutural, de longo prazo (analfabetismo); e os de ordem conjuntural, que aparecem em determinados momentos apenas (merenda). É, todavia, visível que não terão solução no tempo de um governo e nem só pelo governo, se não estiverem presentes a sociedade civil e demais setores dessa sociedade. Daí a importância da participação, como expressão concreta do ser cidadão, encetada no atual momento político.

E, quais são essas questões e suas possíveis soluções? Sem poder listá-los todos, inicia-se pela existência de centenas de escolas, das quais poucas estão, formalmente, reconhecidas. A ausência de dinheiro, em boa parte das escolas, para soluções de seus pequenos problemas que não carecem de discussão, sendo decisão do gestor escolar. Necessidade de construção de laboratórios e, às vezes, chegando o dinheiro para a realização de obras em escola que nem precisam. A organização curricular que em muitas escolas está desatualizada. O Estado que não consegue atender a sua própria lei, com docentes sem a estabilidade profissional (prestadores de serviço). Escolas sem acessibilidade adequada para as pessoas que necessitam. Cadeiras e vidros quebrados, com gás que faltou, com merenda de qualidade duvidosa e livros que chegam muito após o início do ano letivo. Somem-se a isso: calor nas salas de aula, prédios impróprios e salas tristes e pinturas feias. O salário e a intervenção político-partidária engrossam esse rol. Questões óbvias.

Mas, há questões nada óbvias, como a necessidade de se ter diagnóstico, mecanismos de controle, monitoramento e avaliação dessas mesmas questões, inclusive as de ordem ética e moral, da qualificação permanente docente e maior compromisso de profissionais da escola com o seu trabalho. Carece-se de maior organização do sistema de educação do Estado, em nível de ensino médio e em escolas de profissionalização de carreira do próprio Estado, na graduação superior e pós-graduação, além da mais que necessária prioridade política de superação do analfabetismo e da promoção da educação profissional. O central dessa política, todavia, está no seu financiamento, e aqui, para se iniciar bem, não caberá menos do que 10% do produto interno bruto do Estado.   

O início de solução de tamanha complexidade passa pela combinação com o desejo político de um novo governo, que pode provocar a participação das pessoas nas definições dessas questões. Mas, precisa ir além, com uma ampla e rigorosa pesquisa com as seguintes fases: a) um momento qualitativo e mobilizador de trabalhadores em educação em todo o Estado, em suas gerências regionais; b) um momento quantitativo para ser detectada a intensidade de cada problema levantado, no primeiro momento. Além disso, é urgente investir mais na educação.

Sem isso, os resultados da educação do Estado não qualificarão a sua inserção nas formulações estratégicas gerais da política do país, para o ano de 2022, o ano do bicentenário da independência. E, com a aprovação da PEC do Fim do Mundo, a de número 241, infelizmente com ajuda da maioria dos deputados federais alagoanos, definitivamente, parece estar enterrado o avanço da educação dos que estão muito atrasados em suas lições, no País, estando aí o Estado de Alagoas.                  

José Francisco de Melo Neto

Ex-presidente do Conselho Estadual de Educação

Professor Titular e Pesquisador da UFPB

Membro do Movimento Colônia e Cidadania – MCC

Membro da Academia de Cultura de Colônia – ACCL

Sobre Direto da Redação

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Required fields are marked *

*

Por Direto da Redação

Todos (70)