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Colunista Zé de Melo – Ideologia Execrada

IDEOLOGIA EXECRADA

             A construção de um grupo que conduza a política em bases ideológicas, mesmo que haja partidos que expressem esses seus desejos, essa linha política é das mais difíceis de realizar. Tanto em regiões de cidades, em que parece que há mais autonomia das pessoas, mas, sobretudo, em regiões interioranas onde as relações de independência são menores. Estas aparecem em forma de compadrios, de famílias, de amizade, de vizinhança e de dependência econômica e atravancam as perspectivas de mudanças políticas locais. Parece que todo mundo deseja, tão somente, o seu pedacinho de vantagem, tanto na cidade como no interior.

            Mais das vezes, até se formam pequenos agrupamentos para a construção de políticas de esquerda, mas hoje mesmo, até os próprios partidos que assumem as lutas dos trabalhadores estão sendo protagonistas das mais espúrias ações que envergonham qualquer sigla de qualquer natureza política. Fala-se do nível local, mas o exemplo vem diretamente do nível nacional.

            Até podem ser vistas expressões políticas jovens que buscam se agrupar, mas que, por falta de maiores aprofundamentos da teoria política, facilmente caem nas armadilhas de propostas nada decentes das elites locais. O imediatismo eleitoral é que prevalece, definindo as ações políticas do – feijão com arroz -, perdendo a capacidade de serem vistas as iniquidades sociais. Sem análise crítica, desaparece a sensibilidade para as distintas opressões. Aliás, quem faz a educação política nacional, atualmente, é a visão ultraliberal da maior rede de televisão do país, a Rede Globo, que assume a verdade como a expressão de seu áudio. O que sai no Jornal Nacional é o único e verdadeiro. As políticas de mudanças ou de esquerda, para a maioria da população, são jogadas nas latas de lixos.

            Mesmo as siglas partidárias comunistas que foram vistas como agrupamentos do terror, em particular nas décadas do passado, estão até sendo toleradas. Boa parte de seus personagens, contudo, pouco leu as formulações ideológicas de experiências desejosas de serem comunistas ou socialistas. Nem se quer conhecem os programas de seus partidos. Com esse tipo de comunista, tanto faz como tanto fez. É a execração da ideologia política. Das demais siglas, nem é preciso algum comentário.

            Há toda uma dissonância entre as políticas partidárias, em nível de Brasil, as suas alianças e as coligações nacionais, e, as políticas municipais. O alinhamento político trava-se quando chegam aos interiores, aí afora. Nos últimos tempos, o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) esteve unido ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e que juntos protagonizaram a expulsão da Presidenta Dilma. Ao mesmo tempo, são os pares mais antagônicos nas políticas de boa parte dos municípios, em Colônia, inclusive. Nesta cidade, o PMDB caminha com uma penca de siglas que nada diz a respeito do processo democrático defendido por este partido. O grupo antagônico gira em torno do PSDB que também, os seus asseclas, nada conhecem do que seja um governo da social democracia. Já os Partidos dos Trabalhadores (PT) e os comunistas do PCdoB, que deveriam ser críticos às relações de poder local e nacional, estão subsumidos nesses espectros. Acontece que foram eles mesmos os que cravaram a espada no programa por um governo democrático e popular, com a retirada da Dilma.

            Diante disso, nunca é tarde uma visão de longo prazo. Uma política de esquerda passa pelo aglutinamento das forças produtivas e suas representações locais. Só um trabalho de longo prazo é que poderá surgir algo de novo, que una as entidades de representações da classe trabalhadora, por meio de seus sindicatos, com elementos das várias organizações religiosas, setores descontentes da mesmice estabelecida em cada um desses lugares interioranos. Efetivamente, precisará ser algo na política que traduza os anseios de liberdade e justiça, originária na região, desde os cabanos. Assim, essas entidades buscarem possibilidades para escapar da miséria seja da fome, de escola, de saúde, de cuidados, de amigos, de renda, enfim, de cidadania. Este grupo falta apresentar à sociedade a sua proposta de fazer política, pois as práticas atuais e dominantes, até então, estão bastante surradas e não mais promovem o algo novo.

            Todavia, o ano é eleitoral. Em Colônia, as condições objetivas postas caminham, mais uma vez, para separação desses setores envolvidos nos cantos das sereias para as maiorias da população, mantendo-as separadas. Constata-se a dura a difícil caminhada do fazer política local, em particular, no ambiente em que as opções de vida das pessoas são mínimas ou nulas. O financeiro passa a ser o determinante na vida eleitoral e nas vidas das pessoas, mesmo que isto não seja novidade no campo da teoria política e do nosso quadro cultural. Reduzida está a arte de se fazer Política e a ideologia execrada.

            Resta a continuidade das conversas, de grupos fomentadores de debates na internet sobre a política da cidade. Não se pode alimentar a anomia, a desorganização e o não diálogo entre esses grupos. Resta, ainda, o esforço de que nessa luta, se vote para vereador ou vereadora que possa continuar pensando a Política, quando estiver eleito.

José Francisco de Melo Neto (zé de melo neto)

Professor Titular e Pesquisador da UFPB

Membro do Movimento Colônia e Cidadania – MCC

Membro da Academia de Cultura de Colônia – ACCL

Ex-presidente do Conselho Estadual de Educação da Paraíba

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