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Colunista Zé de Melo – O discurso eleitoral em Colônia

O DISCURSO ELEITORAL EM COLÔNIA

            O Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), por um lado, e o Partido da Social Democracia (PSDB), pelo outro lado, acompanhados de outros pequenos partidos, uns apenas de aluguel, que constituem suas coligações, em nível proporcional, na cidade de Colônia Leopoldina, apresentam à sociedade local duas opções para a Cargo de Prefeito – a candidata à reeleição Paula Rocha e o candidato à sua terceira eleição Manuilson Andrade, respectivamente.

            A Campanha está no ar. Os gritos de guerra do povo cabano são ouvidos. Com pouca ou nenhuma orientação partidária se lança às disputas pelas suas preferências pessoais, tão somente. Os participantes de qualquer dos comícios ou passeatas, neste ano, se dizem “tudo junto e misturados”, já que não são feitas quaisquer diferenças naquilo que falam às massas ensurdecidas a outras palavras que não apenas as da vitória. Ambos os candidatos apresentam-se como vitoriosos. A emoção é a regra. A razão é apenas um acessório. A luta pela Casa Grande, a prefeitura, configura-se em um campo de igualdades de forças, mas as armas são as mesmas, de ambos os lados, o fulminante poder financeiro, atacando a senzala ampliada, o ambiente da comunidade.

            E como estão sendo as falas dominantes dos discursos nos comícios? Antecedem a atividade de caminhada ou comício as visitas às casas, nos dias anteriores ao encontro no palanque. É fundamental o atendimento de alguma demanda repassada aos candidatos na calada da noite. A qualquer hora, pode-se receber uma visita. No dia mesmo do encontro, não faltarão carros de som ativando os gritos de guerra e as músicas da vitória, em geral, de sucessos de cantores nacionais do momento. Não há o rufar dos tambores, pois do cabano fora arrancado também a sua referência musical. As motos passam e repassam com suas buzinas, avisando o evento. Também vão à busca de ajuda para o combustível para poderem estar na frente da carreata. São aproximadamente 300 delas para cada comício. Assim, ocorre com os demais tipos de transporte. Aqueles carros bombardeiam os ouvidos das pessoas com os ribombos musicais de gosto discutíveis. Contudo, os partidários das cores das claques entendem-nas como de excelente gosto e, seguramente, promovem o prazer. Após um dia inteiro dessas atividades volantes por toda a cidade, o clima está pronto para a apresentação dos candidatos. O ápice da batalha está para começar.

            Sempre um mestre de cerimônia e animador do comício está presente. Os intervalos entre um candidato e outro são preenchidos com alguma piada ou mesmo uma provocação aos adversários, sendo o momento da promoção de algumas mentiras que são importantes e necessárias. Neste ano, são aquelas que não estão ofendendo moralmente as candidaturas. Em campanhas anteriores, a ofensa ao outro era o mote e o refrão. Os tempos parecem ser outros. A região da Zona da Mata é um ambiente em que a informação oral é mais forte que qualquer outra mídia.

            Os candidatos, vereadores e vereadoras, iniciam a procela e suas falas vão de elementos políticos substanciais até às questões particulares, de nenhuma importância ao eleitorado. Não se pode desconsiderar o discurso daqueles que quase nem falam, bem como, os que também não leem. O palco da conquista do voto para esses não é o palanque, mas o atendimento de pequenos pedidos e os laços de amizade estabelecidos.

            O eleitor, contudo, gosta de acompanhar estórias. Em geral, chegam a mais de duas horas de falações até o discurso final que é do candidato ou candidata principal à gestão máxima da cidade. O que se tem visto e escutado é que o nível desse discurso, quanto às provocações entre candidatos, tem tido uma mudança qualitativa importantíssima em Colônia. Não faz muito tempo, aquelas falas e narrativas de candidatos eram somente de provocações, de inverdades, de ataques moralistas, sem qualquer nexo com a política mesma que não passa de uma querela momentânea. Hoje, o que se viu, até o momento, é que as provocações estão leves e, até, estão surgindo candidatos e candidatas à Câmara com algum desejo de mudar a política, apresentando, tão somente, propostas de melhoria para a cidade.

            Até o momento, repita-se, os candidatos a prefeito ainda não disseram para que vieram. Seus discursos se mantêm evasivos, sem substâncias e sem provocações, contudo, ainda estão longe de apresentar programa concreto e possível de realização marcando a política com P maiúsculo.

            Colônia Leopoldina e seu povo mestiço bem que merecem uma política melhor e melhores vidas para os seus dias. Que mais e novos ventos balancem os canaviais e todas as matas, acordando os “zumbis” e as “comadres-fulozinha”, provocados que são pelos batuques e badulaques em momentos de comemorações, de festas e da guerra de um povo que lutou por direitos de morar nessas matas e por liberdade, o povo cabano.

José Francisco de Melo Neto (Zé de Melo Neto)

Professor Titular e Pesquisador da UFPB

Membro do Movimento Colônia e Cidadania – MCC

Membro da Academia de Cultura de Colônia – ACCL

Ex-presidente do Conselho Estadual de Educação da Paraíba

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