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Colunista Zé de Melo – Redução ao absurdo: A política nas coligações proporcionais

 

Redução ao absurdo: A política nas coligações proporcionais

            Passados dois anos, retomam-se as eleições e todo processo de escolha se apresenta como algo, no final, reduzido ao absurdo das coligações proporcionais. E, de que se tratam as coligações proporcionais? A legislação brasileira, algo que é feita apenas por políticos em exercício de mandatos, define que os partidos políticos podem realizar coligações (alianças), em nível de campanha eleitoral. Os partidos podem realizar essas coligações para o cargo do executivo, governador, presidente e prefeito/a, sem precisar reproduzi-las para os vereadores, deputados. Em síntese, é o distanciamento do exercício de posições políticas mais gerais quando se trata das funções executivas e o incentivo à feira partidária, no andar inferior das eleições para vereador. Cada um pode votar no vereador que desejar sem qualquer afinidade com o executivo. Está estabelecido não o favorecimento da organização política da sociedade, mas a lei do “vale quanto pesa” ou a lei do “salve-se quem puder”.

            Nesse ambiente, mais ainda, o peso financeiro é que dá as cartas, estabelecendo as negociações mais espúrias do ponto de vista da arte da política, dando abertura pela própria lei, outra lei que é a do “toma-la, dá cá”. Afincam-se a compra e venda de partidos, e esta é, verdadeiramente, a compra e venda dos votos, sem condição de qualquer fiscalização judiciária. Nesse momento, sim, nada de política há, e, tão somente, o favorecimento, a falta de lealdade entre eles mesmos, a redução total da política às negociatas, choros e ranger de dentes, considerando o ajuntamento partidário nada consensual. É um casamento à base da espada para alguns e atendente ao interesse pessoal para outros.

            Todavia, tudo isto, repita-se, está dentro da lei, mesmo que esta não incentive qualquer tipo de pilantragem ética na política. A venda e compra de votos, venda e compra de partidos, negociações essas só feitas pelos de “colarinho branco”, os “gravatudos”, os donos de partidos e presidentes, mas tudo isto é proibido. Esta sim é a verdadeira feira de “troca-troca” das eleições com o sabor das pitadas de jogo sujo.

            A lei que é feita por eles mesmos, a partir de Brasília, chega aos interiores do país com essas possibilidades e Colônia Leopoldina não pode ser à exceção da regra. Tudo isto se repete nos bastidores das caladas da noite e sem qualquer controle pelo judiciário e, muito menos, pela sociedade civil que está dormindo a essa hora.

            O momento que antecede o período eleitoral, propriamente dito, é o tempo do gerenciamento desse espetáculo degradante, do ponto de vista ideológico. Este é o tempo para que os partidos definam as coligações para os cargos proporcionais, o caso dos vereadores. Quem está comprando e vendendo votos são muitos desses dirigentes partidários que se alimentam, pura e simplesmente, pelo xadrez da aritmética eleitoral. Será assim que será combatida a corrupção? Não me parece.

            Em todo o país, esse tipo de espetáculo condutor da política a essa redução absurda já se realizou. Saiba você eleitor ou eleitora que o seu voto já foi negociado, por parte de muitos partidos. Sempre, é necessário que se diga que há exceções. Essas, contudo, são pouquíssimas. Os resultados do dia mesmo da eleição estão muito próximos dessa negociata eleitoral.

            Os votos, aqui, estão distribuídos em três importantes grupos. São conhecidos inclusive os resultados para a Câmara, mais que para a campanha da Prefeitura. Em tempos de olimpíadas, o erro da corrida para a Câmara não chega a 30%, e o erro para o executivo está cravado em 50%.  O resultado está dado e já se conhecem os nomes dos ungidos desse circo sem qualquer tipo de alegria. O processo eleitoral define calendário. As siglas partidárias, através de seus representantes, promovem o estudo àquelas chances de vitória e, nesse momento, não cabe qualquer tipo de ingenuidade.

            Na cidade de Colônia, um ajuntamento partidário para vereador está em torno do PMDB, comportando o PSD, o DEM, o PCdoB e o PHS, cabendo outros. Outro agrupamento circula junto ao PSDB com o PDT, PEN, PROS, PSC, PRB, PMN, cabendo outros, também. O terceiro grupo, este mais próximo em suas ideologias, mas nem tanto quanto às práticas de representantes, que é o PSB, PPS e PT.

            Você sabe dizer os nomes dessa sopa partidária? Eu também não sei. E as propostas políticas para a cidade, você conhece? Até agora nem disseram. Todavia, o primeiro grupo elegerá em torno de 5 vereadores, podendo chegar a 6 nomes. O segundo grupo elegerá aproximadamente 5 vereadores, podendo ficar em 4 e o terceiro grupo chegará com 3 nomes, podendo ficar apenas com 2. O total, claro, deverá ser 11 que é a capacidade da Câmara, em Colônia.

            É de se perguntar, então, onde ficam os trabalhadores, aqueles que seguram a economia do lugar e que votam: comerciários, pequenos agricultores, servidores públicos, trabalhadores rurais e pequenos comerciantes? Estes desconhecem totalmente essas manobras da baixa política e disputa pelo poder. Confundem a arte da política com o seu simples voto. Lamentavelmente, durante a campanha, estarão a se matarem e morrerem por uma causa que nem nasceu e, certamente nem é sua, assistindo ao espetáculo deprimente das eleições, dessa redução absurda promovida por esses forçados ajuntamentos, mas que poderão, ainda, ser um espetáculo da cidadania crítica e ativa.

 

 

José Francisco de Melo Neto (Zé de Melo Neto)

Professor Titular e Pesquisador da UFPB

Membro do Movimento Colônia e Cidadania – MCC

Membro da Academia de Cultura de Colônia – ACCL

Ex-presidente do Conselho Estadual de Educação da Paraíba

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