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Escola livre de quê?

 

                Ficamos sabendo do recente projeto de certo deputado alagoano denominado de Escola Livre. O docente não pode emitir comentários políticos em sua disciplina, em especial, se falar de políticos. É uma pena que isto tenha ocorrido logo em Alagoas. Para Colônia, adquire dimensão de maior gravidade pois esse deputado teve forte apoio eleitoral na cidade. Na certa, não consultaram qualquer docente sequer para esclarecer a esses representantes sobre o papel social de uma escola.

                Mas, é de se perguntar de que é mesmo que uma escola é livre? A escola expressa todas as facetas contidas em uma sociedade. Não é livre de drogas lícitas e ilícitas, da riqueza e da pobreza da sociedade, das classes sociais, de homens e de mulheres, das religiões, nem é livre sequer da politicagem e nem desses políticos de meia tigela. Um projeto que proíbe o livre pensar do mestre-educador e do exercício da democracia.

                Esse deputado deseja uma escola neutra na sociedade que nunca foi e nem será. Saiba ele que a educação também nunca foi e nem será neutra. A educação expressa sempre o desejo de perpetuação de regras anteriormente estabelecidas e que se façam valer ainda para as futuras gerações. A escola repete os ditames das gerações passadas e desenvolve o conservadorismo como o próprio do tal projeto aprovado. Não escapa dos valores da dominação da sociedade e muito menos escapará dos valores de todos aqueles que nela vivem e trabalham – docentes, estudantes e demais trabalhadores da educação.

                A visão de escola e da educação dessa gente é autoritária, demagógica e ideologicamente inaceitável. A escola é um ambiente das contradições sociais existentes. Na escola, estão presentes ideias e pensamentos das classes dominantes, ideias e pensamentos das classes subalternas. Ela é um espaço de socialização de todas as mazelas e virtudes da sociedade. A escola é portanto para isso – para socialização das realidades da sociedade, cabendo aos estudantes aprenderem a fazer suas escolhas. É o lugar do pensamento crítico. Isto só é possível com o apoio dos mestres que não precisam esconder suas visões políticas.

                Este projeto estabelece-se em bases a vários equívocos entre eles: primeiro é que imaginam eles que o profissional da educação não pode pensar, impedindo a sua cidadania; o segundo é que no ambiente escolar não poderá simplesmente haver a visão estúpida dos dominantes, sendo este o desejo desse pessoal; e, terceiro, é que isso não foi possível nem em tempos de total repressão no país, durante a ditadura.

                Caros docentes! É lastimável que como deputados perdem tempo com projetos tão ridículos que mostram a não preocupação com a questão maior da Educação em Alagoas – os seus índices/indicadores tão baixos. Além do mais, fiquemos muitos atentos pois os tempos políticos de hoje caminham para não só apertos econômicos como apertos nas atividades docentes, bem como, desejos de golpes nas nossas inteligências. Basta!

José Francisco de Melo Neto

Professor Titular e Pesquisador da UFPB

Membro do Movimento Colônia e Cidadania – MCC

Membro da Academia de Cultura de Colônia – ACCL

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