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Política, internet e escolhas inteligentes

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            A temperatura do ano eleitoral já se faz sentir naquele que promete ser um de seus principais termômetros: as redes sociais virtuais. Enquanto as ruas não são tomadas pelas passeatas, carreatas e congêneres – o que a justiça eleitoral permitirá apenas nos 45 dias que antecedem a eleição, segundo a recente mudança na legislação – a internet vira o grande palanque antecipado em Colônia Leopoldina. São variadas as tentativas de cada candidato para se promover: perfis que se multiplicam da noite para o dia, lançamento de páginas, posts de autoelogios, publicidade de boas ações etc. Na era da web, o que a mão esquerda faz, a direita deve postar.

            Penso que a exposição é válida e faz “parte do jogo”, afinal de contas quem pretende ocupar um cargo público tem mais é de mostrar quem é, suas ideias, suas pretensões. A democracia nos implica num constante processo de escolhas e quanto mais informações honestas tivermos a respeito dos postulantes a exercer mandatos que são justamente eletivos, melhor. Contudo, algumas ressalvas devem ser feitas, muitas delas claramente ilustradas nos pitorescos exemplos do cotidiano da rede: dos fakes aos memes, passando por outras formas de se cometer abusos, a comunicação deixa de ter seu cunho “social” em termos de discussão política para servir de instrumento de desinformação, baixaria e engodo. O primeiro grande alerta a pré-candidatos, seus assessores e todos os eleitores, deve ser no sentido de se conhecer minimamente a legislação eleitoral e, naturalmente, respeitá-la. Quem não conhece ou não respeita a lei estará em condições de ser um bom administrador ou, mais ainda, um legislador do povo? É uma reflexão.

            A parte dos cidadãos leopoldinenses que têm acesso a internet forma o que podemos chamar um “povo navegante”. Apesar da exclusão digital e cultural, que marca a periferia de nossa cidade, assim como em tantos municípios pequenos no País afora e nos remanescentes bolsões de miséria das metrópoles brasileiras, a web precisa ser politicamente cidadã. A rede não liga somente computadores, linka as pessoas e suas ideias. Em relação à galera das redes, é preciso qualificar o debate para além do raciocínio míope que supõe que toda palavra ou foto postada deve ser categorizada como indicativo de voto na “situação” ou na “oposição”. Aqueles que ocupam ou desejam em ocupar um lugar no Poder Público, ao mesmo tempo que não podem fugir do risco assumido de estarem sob os holofotes dos PCs, tablets e smartphones nas redes sociais, precisam também ser respeitados em seus direitos individuais, como no tocante à imagem por exemplo. Na arena política, muitas vezes a necessidade de atacar raivosamente alguém com o intuito de se promover, expressa a própria falta de conteúdo e consistência do adversário. Não saber lidar com críticas ou respondê-las à altura, também é um péssimo sinal.

            Portanto, vamos seguir postando, curtindo, comentando, compartilhando, “viciados” que somos em política e em internet. Uma dose certa de humor não faz mal a ninguém, como aquela crítica um pouco mais ácida ou um questionamento mais exigente. Também faz parte. Mas não precisamos ser levianos, imaturos, hostis. A democracia não pode ficar off-line, afinal de contas essas grandes prateleiras chamadas redes sociais onde a gente vende e compra nomes e ideias nos darão sempre essa possibilidade: fazer escolhas inteligentes.

Sobre Everton Calado

Leopoldinense, 35 anos, doutorando em Psicologia Clínica e atualmente professor de Comunicação Social na Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

Um comentário

  1. josé francisco neto neto - zé de melo neto

    O Prof. Everton aborda a temática de maneira inteligente, assim como busca no texto destacar escolhas inteligentes. Aliás, como cidadão, pretende também representar o povo de sua cidade, Colônia, na Câmara de Vereadores. Vejo com profunda simpatia a sua candidatura. A sua vitória seria uma vitória da juventude e, sobretudo, do pensamento crítico. Avante, professor!

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