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Salve, Salve

Cresci várias vezes no mesmo caminho.
Já dividi espaço, guerrilhei por território, há em mim relíquias jamais descobertas.
Perdi realezas e vales.
Emergi diversas vezes, me desabriguei.
Expulsei amigos, alentei vilões.
Submeti.
Sou uma cidade nova, sem escolta e sem muralhas.
Perdida num vale desigual de cores queimadas, há incêndios ao redor de mim.
Mas sou fria, quando o mundo obriga.
Há lendas hereditárias em meu peito, vivas pelos seres antigos que me habitam.
Me ergui da guerra.
Me firmei no espaço onde só posso crescer pra cima e pro lado.
Cortam-me águas derramadas de longe e sob mim há um céu que, desconfio, me engolirá um dia.
Meus  filhos voltam sempre para uma reconciliação, alguns tornam a deixar-me.
Há sorrisos voando em meu ventre e balas perdidas em meu coração.
Sou o contrário e o certo ao mesmo tempo, desmaio na imensidão.
Entre santos e pagãos, crendices me são ensinadas e curo minhas próprias feridas.
Já extraíram meu sangue prometendo-me reconstituição.
Vazio.
Barro.
Há torcedores e apáticos em minhas brechas.
Mais uma promessa não cumprida.
Mais de cem anos de vida e ainda não aprendi dizer não.
Sou grande.
Pequena.
Vivida.
Subdividida.
Estação.
Pedra.
Doçura.
Cangaço.
Laço ou nó.
Sem forma nem tom definido.
Morri várias vezes no mesmo destino.
Já dividi espaço, guerrilhei por território.
Há em mim esperança jamais confessada.
Ganhei povoados e reis.
Nasci diversas vezes, me obriguei.
Alentei amigo, expulsei vilões.
Frenesi.
Sou cidade velha, com escolta, sem muralhas.
Achada num vale de cores plantadas.
(Quando as flores se parecem com a floresta)

Lidiane Andrade.

Sobre Lidiane Laurentino Andrade

Leopoldinense, 21 anos, graduanda em Administração na Universidade Federal de Alagoas.

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Por Lidiane Laurentino Andrade

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